Nos últimos anos, o sarampo voltou a crescer em várias partes do mundo. Em 2024, a Inglaterra registrou o maior número de casos confirmados desde 2012, levando à declaração de um incidente nacional. Uma das razões para isso é a queda nas taxas de vacinação, que aconteceu porque muitos acreditam que o sarampo é uma doença do passado, pouco conhecida.
Muita gente acha que o sarampo só afeta crianças. No entanto, cerca de um terço dos 2.911 casos confirmados na Inglaterra em 2024 e seis das sete mortes relacionadas à doença desde 2000 foram de adultos. Os profissionais de saúde estão na linha de frente para lidar com surtos e cuidar dos pacientes. Como trabalham em hospitais, têm mais chances de contrair o sarampo do que a população em geral.
Estudos feitos pela Europa mostram que uma parte preocupante dos profissionais de saúde não tem imunidade ao sarampo. Isso significa que eles estão mais expostos ao vírus e podem transmiti-lo para pacientes mais vulneráveis. Nossa pesquisa, realizada com 23 mulheres que trabalham em um hospital de Londres, investigou as barreiras e os motivos para a vacinação contra o sarampo nessa categoria de trabalhadores.
Aumentando a conscientização sobre a vacinação contra o sarampo
As entrevistas que fizemos mostraram que o conhecimento sobre o sarampo e a vacinação é bem baixo. Isso ocorre, em parte, porque muitos profissionais de saúde não tiveram contato pessoal ou profissional com a doença, que também não foi abordada de forma significativa em sua formação.
A falta de informação sobre os sintomas, a contagiosidade e as possíveis complicações do sarampo pode atrasar o diagnóstico de pacientes infectados e diminuir a percepção da importância da vacinação. Aqueles que hesitam a se vacinar acabam escolhendo não fazê-lo, muitas vezes porque acham que o risco de contrair a doença é baixo, acreditando que se trata apenas de algo que atinge crianças.
Um artigo de 1998 que afirmava, de forma errônea, que a vacina tríplice (sarampo, caxumba e rubéola) estava ligada ao autismo ainda é lembrado por alguns profissionais de saúde. Quase metade dos entrevistados mencionou o autismo espontaneamente, embora poucos tenham apontado isso como motivo para não se vacinar ou não vacinar seus filhos.
Além disso, uma parte significativa dos profissionais de saúde não sabe qual é seu status de vacinação contra o sarampo. No nosso grupo, 10 dos 23 participantes não tinham essa informação. Isso não surpreende, já que a vacinação contra o sarampo faz parte do calendário vacinal infantil, e muitos adultos não se lembram quando foram vacinados. Eles acabam dependendo de seus pais ou do departamento de saúde ocupacional do hospital para checar os registros.
Para quem imigrou de outro país, acessar essa informação pode ser ainda mais complicado. Por isso, a ideia de um aplicativo ou plataforma onde esses profissionais pudessem gerenciar suas informações de vacinação foi bem recebida.
É importante que os profissionais de saúde conheçam seu status vacinal, recebam melhor treinamento e sejam engajados em discussões sobre os riscos do sarampo e a segurança da vacina tríplice. Isso pode ajudar a aumentar a conscientização e aliviar preocupações, sendo uma prioridade importante para a saúde pública.
Fortalecendo o rastreamento da vacina
Muitos hospitais, incluindo o que participamos do estudo, fazem triagens para vacinação contra o sarampo durante o processo de contratação. A maioria disso é feita com base na autoavaliação ou pela transferência de registros, mas a aplicação desses protocolos pode ser inconsistente e a documentação, deficiente. Vários participantes não lembravam se a vacina contra o sarampo fazia parte da triagem ou consideravam isso apenas uma formalidade.
Um estudo anterior descobriu que apenas 48 dos 104 hospitais na Inglaterra registraram o status vacinal da tríplice na base de dados central e apenas 16 monitoraram a elegibilidade dos funcionários para a vacina. Os profissionais que atendem pacientes e não conseguem confirmar infecção anterior ou vacinação são geralmente oferecidos a vacina, com ou sem teste de imunidade.
Colocar mais ênfase na vacinação contra o sarampo junto com campanhas de educação e conscientização reforça o compromisso do hospital com a vacinação. Embora expandir os testes de imunidade para todos os profissionais de saúde não seja viável financeiramente para muitos hospitais, os protocolos de triagem devem garantir que todos os trabalhadores que atendem pacientes sejam avaliados e que registros sejam mantidos adequadamente.
Reformulando a vacinação como cuidado ao paciente
Os profissionais de saúde com status vacinal incerto geralmente têm uma visão positiva sobre a vacina do sarampo, mas afirmam que descobrir seu status e arranjar um tempo para as vacinas se torna uma barreira devido à sua agitação. Muitos entrevistados disseram que priorizavam o cuidado dos pacientes em vez de realizar tarefas pessoais.
Usar lembretes e apresentar a vacinação do sarampo como uma forma de proteger pacientes vulneráveis e a comunidade pode ser uma boa estratégia. Além disso, as instituições de saúde precisam facilitar o processo para que esses profissionais consigam se vacinar.
Os profissionais estão na linha de defesa contra doenças renascendo, como o sarampo, e isso torna essencial protegê-los. Para que eles deem prioridade à vacinação, os hospitais precisam continuar a promover campanhas de conscientização. Melhorar os processos de triagem e realizar campanhas educativas regulares pode ajudar a aumentar a conscientização sobre os riscos do sarampo e os benefícios da vacinação. Isso também serve como um estímulo para aqueles que estão inseguros sobre se devem ou não se vacinar.

