Acordar e sentir muito sono durante o dia é comum, especialmente entre pessoas com 60 anos ou mais. Um estudo recente mostrou que essa sonolência excessiva pode trazer problemas de memória e cognição após cirurgias. Mulheres e homens nessa faixa etária são os mais afetados, sendo que até 20% dos adultos lidam com isso.
O estudo foi apresentado em um evento anual sobre anestesiologia. Os pesquisadores indicam que perguntar aos pacientes e seus familiares se eles dormem muito durante o dia pode ser um bom jeito de encontrar indícios sobre a saúde cerebral deles após a cirurgia.
Frequentemente, a sonolência diurna não é levada a sério nas avaliações pré-operatórias. No entanto, ela pode aumentar os riscos de distúrbios neurocognitivos perioperatórios, que afetam a qualidade de vida após o procedimento cirúrgico. Esses distúrbios podem fazer com que os pacientes levem mais tempo para se recuperar e até precisem de ajuda a mais para realizar atividades do dia a dia.
Esses problemas de cognição podem atingir até 40% dos pacientes mais velhos após cirurgias. Muitas vezes, eles se manifestam como delirium, que é um estado de confusão que aparece de forma repentina. Os pacientes podem ficar desorientados, ter dificuldade de concentração ou não seguirem instruções simples.
Às vezes, o delirium pode durar semanas ou até meses, afetando a memória e a capacidade de raciocinar, o que pode tornar a vida mais difícil. Um exemplo de como isso acontece é o estudo que envolveu 96 pacientes com 60 anos ou mais que se preparavam para cirurgias não cardíacas. Todos responderam a um questionário que mede a sonolência diurna.
De todos os participantes, 11 (11,5%) apresentaram sonolência moderada a severa. Seis semanas após a cirurgia, 82 deles retornaram para novos testes e 14 (17,1%) apresentaram distúrbio neurocognitivo pós-operatório.
Entre os oito pacientes que tinham sonolência excessiva e fizeram os testes de acompanhamento, foi observado um declínio mais significativo nas habilidades cognitivas, ou seja, má memória e dificuldades de raciocínio, seis semanas após a cirurgia.
Familiares e cuidadores têm um papel importante para ajudar a reduzir os riscos de distúrbios neurocognitivos. Passar tempo com o paciente pode fazer a diferença. Eles devem ficar de olho em sinais de problemas de memória, dificuldade de atenção ou agitação. Se perceberem algo diferente, isso pode alertar a equipe de saúde a investigar mais e tomar medidas preventivas.
Dr. Jeffry Takla, que liderou o estudo, explica que a sonolência excessiva não é uma parte normal do envelhecimento. Muitas vezes, isso ocorre devido a noites mal dormidas, distúrbios do sono como apneia, efeitos colaterais de medicamentos ou outros problemas de saúde.
Ter bons hábitos de sono faz toda a diferença. Isso inclui ter horários regulares para dormir e acordar, aproveitar a luz natural durante o dia e se manter ativo. Também é importante evitar cafeína e álcool à noite, além de garantir um ambiente tranquilo e confortável para dormir. Se a sonolência persistir, é recomendável procurar um médico ou especialista em sono para descobrir a causa e buscar um tratamento adequado.
Os pesquisadores sugerem que estudos futuros investiguem a relação entre sonolência excessiva e o aparecimento de distúrbios neurocognitivos, como o delirium. Se essa ligação for confirmada, seria interessante buscar formas de detectar e tratar essa sonolência antes da cirurgia, para ajudar os pacientes mais velhos.
Se alguém se sente muito sonolento durante o dia, pode ser bom fazer um estudo do sono ou buscar orientações sobre higiene do sono. Tudo isso é especialmente importante se a situação interferir nas atividades cotidianas. Cuidar do sono é fundamental para a qualidade de vida, e atenção aos sinais do corpo é sempre válida.
Por fim, focar na saúde mental e física, além de buscar ajuda quando necessário, é essencial para uma vida mais saudável e plena. Manter os olhos abertos para esses detalhes pode evitar problemas maiores no futuro.

