Pesquisadores desenvolveram uma nova técnica que faz microplásticos brilharem no escuro. O objetivo é rastrear essas partículas em tempo real dentro de organismos vivos.
Microplásticos e nanoplásticos já foram encontrados em todos os lugares, desde o fundo do oceano até solos agrícolas e dentro do corpo humano. No entanto, os cientistas ainda não entendem completamente o que essas partículas fazem depois de entrarem em um organismo vivo.
A produção mundial de plástico ultrapassa 460 milhões de toneladas por ano. Milhões de toneladas de partículas microscópicas são liberadas no meio ambiente anualmente. Essas partículas foram identificadas em animais marinhos, aves e tecidos humanos, incluindo sangue, fígado e até amostras do cérebro.
Experimentos de laboratório sugerem que a exposição pode estar ligada a inflamação, danos a órgãos e problemas de desenvolvimento. Ainda assim, há uma lacuna no conhecimento sobre como essas partículas se comportam dentro de sistemas vivos.
“A maioria dos métodos atuais nos dá apenas uma imagem estática no tempo”, disse o autor correspondente Wenhong Fan. “Podemos medir quantas partículas estão presentes em um tecido, mas não podemos observar diretamente como elas viajam, se acumulam, se transformam ou se quebram dentro de organismos vivos.”
Ferramentas comuns de detecção, como espectroscopia no infravermelho e espectrometria de massa, exigem que os cientistas destruam amostras de tecido para analisá-las. Isso impede a observação do comportamento das partículas ao longo do tempo.
Para superar essas limitações, a equipe projetou uma estratégia que chamam de síntese controlada por monômero fluorescente. Em vez de revestir as partículas plásticas com corante fluorescente, eles incorporaram componentes emissores de luz diretamente na estrutura molecular do plástico.
O método usa materiais com emissão induzida por agregação, que brilham mais intensamente quando agrupados. Esse design ajuda a manter um sinal estável e reduz a perda de brilho durante a imagem.
Com essa técnica, os pesquisadores podem ajustar o brilho das partículas, a cor da luz emitida, o tamanho e a forma. Como o material fluorescente é distribuído uniformemente por toda a partícula, tanto os plásticos inteiros quanto os fragmentos menores criados durante sua degradação permanecem visíveis.
Isso permite rastrear o ciclo completo dos microplásticos, desde a ingestão e o transporte interno até a transformação e a quebra final. A estratégia ainda está em fase de testes experimentais.
“Esclarecer os processos de transporte e transformação dos microplásticos dentro dos organismos é necessário para avaliar seus verdadeiros riscos ecológicos e à saúde”, disse Fan. “O rastreamento dinâmico nos ajudará a ir além das simples medições de exposição para uma compreensão mais profunda dos mecanismos de toxicidade.”
O estudo foi publicado na revista New Contaminants em 2026.
