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    Pressão alta na infância está ligada à morte precoce por doenças cardíacas

    Juliana MoraesBy Juliana Moraes07/09/20255 Mins Read
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    Pressão alta na infância está ligada à morte precoce por doenças cardíacas
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    Importância da Pressão Arterial nas Crianças

    A pressão arterial é uma questão séria em qualquer fase da vida. Pesquisas iniciais mostram que crianças de sete anos com pressão arterial elevada podem ter um risco maior de falecer por doenças cardíacas quando atingirem os 50 anos. Esse estudo foi apresentado nas Sessões Científicas de Hipertensão da American Heart Association, realizadas em Baltimore.

    Esse estudo foi publicado na revista JAMA e trouxe resultados surpreendentes. Os pesquisadores descobriram que ter pressão alta na infância está ligado a problemas de saúde graves muitos anos depois. Crianças que apresentam hipertensão ou pressão alta podem ter entre 40% e 50% mais chances de morrer por doenças cardíacas ao longo de suas vidas.

    Os resultados ressaltam a necessidade de checar a pressão arterial em crianças. É crucial criar estratégias para promover a saúde do coração desde cedo. Outros estudos já mostram que a pressão arterial na infância está associada a um risco elevado de doenças cardíacas na vida adulta. Pesquisas de 2022 indicaram que crianças mais velhas, com cerca de 12 anos e pressão alta, têm maior risco de falecer por problemas cardíacos na idade média.

    O estudo atual é pioneiro ao investigar o efeito da pressão arterial sistólica (número mais alto) e diastólica (número mais baixo) na infância, observando o risco de morte cardiovascular a longo prazo em um grupo diversificado de crianças. As diretrizes da American Academy of Pediatrics recomendam que a pressão arterial seja medida anualmente em consultas pediátricas a partir dos 3 anos.

    Os resultados reforçam a importância de monitorar a pressão arterial como um indicador de saúde cardiovascular em crianças. O estudo também ajuda a definir melhor o que é considerado pressão arterial anormal ou hipertensão nessa faixa etária. A Dra. Bonita Falkner, da American Heart Association, destacou que esse monitoramento é fundamental.

    Os pesquisadores analisaram dados do National Death Index para acompanhar a sobrevivência ou causa de morte de aproximadamente 38 mil crianças que tiveram a pressão arterial medida aos sete anos. Essa medida fez parte do Collaborative Perinatal Project (CPP), que é um dos maiores estudos nos EUA sobre como fatores da gravidez e pós-natal afetam a saúde dos filhos.

    A pressão arterial medida nas crianças foi convertida em percentis específicos para idade, sexo e altura, segundo as diretrizes da American Academy of Pediatrics. O estudo também levou em conta fatores demográficos e o índice de massa corporal das crianças para garantir que os resultados corresponderem apenas à pressão arterial e não a outras condições, como sobrepeso.

    Após o acompanhamento até uma média de 54 anos de idade, os investigadores chegaram a algumas conclusões importantes:

    • Crianças com pressão arterial mais alta na infância têm mais chances de falecer precocemente por doenças cardiovasculares, especialmente aquelas cujas medições estavam entre os 10% mais elevados para sua faixa etária.
    • Em 2016, 2.837 participantes faleceram, e 504 dessas mortes foram atribuídas a doenças cardíacas.
    • Crianças com pressão arterial elevada (entre o 90° e 94° percentil) e as que tinham hipertensão (95° percentil ou mais) apresentaram um risco 40% a 50% maior de morte precoce por doenças cardiovasculares.
    • Mesmo elevações moderadas na pressão arterial foram relevantes. Crianças com pressão levemente acima da média tiveram um risco de 13% (para a pressão sistólica) e 18% (para a diastólica) maior de morte precoce por problemas do coração.
    • Ao analisar 150 grupos de irmãos no CPP, ficou claro que crianças que apresentavam pressão arterial mais alta tinham riscos maiores de morte cardiovascular, mesmo ao serem comparadas com irmãos com pressão arterial mais baixa.

    A Dra. Freedman destacou que a criança deve ter sempre a pressão arterial monitorada, pois números elevados podem ter consequências graves por toda a vida. Essa pesquisa apresenta algumas limitações. A principal é que ela considera apenas uma única medição da pressão arterial aos sete anos, o que pode não refletir a variação ou padrões a longo prazo da pressão arterial infantil.

    Além disso, a maioria dos participantes do CPP eram negros ou brancos, o que significa que os resultados podem não se aplicar a crianças de outros grupos étnicos. Também é importante lembrar que as crianças de hoje têm estilos de vida e exposições ambientais diferentes das que participaram do CPP na década de 1960 e 1970.

    Informações do Estudo:

    • O estudo totalizou 38.252 crianças cujas mães participaram do Collaborative Perinatal Project, que ocorreu de 1959 a 1965. Das crianças, 50,7% eram do sexo masculino. Entre as mães, 49,4% se identificaram como negras e 46,4% como brancas, enquanto 4,2% eram hispânicas, asiáticas ou de outros grupos.
    • A análise considerou a pressão arterial medida aos sete anos e a converteu em percentis específicos para idade, sexo e altura, conforme as diretrizes da American Academy of Pediatrics.
    • Os dados de sobrevivência até 2016 e as causas de morte dos filhos dos participantes do CPP na vida adulta foram obtidos através do National Death Index.
    • A análise de sobrevivência foi utilizada para avaliar a relação entre a pressão arterial infantil e as mortes por doenças cardiovasculares, ajustada para índice de massa corporal infantil e características da mãe.
    • O estudo também incluiu grupos de irmãos, examinando se aquele com pressão arterial mais alta tinha maior risco de falecer por doenças cardíacas do que o irmão com a pressão mais baixa. Essa análise ajudou a entender quanto os fatores familiares e de infância influenciam o risco relacionado à pressão arterial.

    Em resumo, monitorar a pressão arterial na infância é fundamental para a saúde cardiovascular ao longo da vida. É essencial garantir que as crianças sejam avaliadas regularmente para evitar problemas futuros de saúde.

    Juliana Moraes

    Técnica em registros médicos e informações de saúde com paixão por melhorar a eficiência e a precisão dos registros de saúde. Acredito que uma boa gestão das informações de saúde é fundamental para fornecer o melhor cuidado possível aos pacientes.

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