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Pinturas de 2 mil anos podem conter sangue humano

Afresco antigo desgastado com figuras pintadas na parede
Redação Cirurgia de CâncerPublicado em 17 de agosto de 2026Atualizado em 19 de outubro de 2026

Pesquisadores encontraram indícios de que pinturas rupestres com mais de 2 mil anos, localizadas no sul da China, podem ter sido feitas com uma mistura que incluía sangue humano e animal. A descoberta ocorreu após a identificação de proteínas ligadas ao sangue em uma camada entre o calcário e o pigmento vermelho.

O estudo foi publicado em julho no Journal of Archaeological Science e analisou as pinturas do complexo de Zuojiang Huashan, na região de Guangxi. O local possui mais de 80 sítios de arte rupestre ao longo de cerca de 260 quilômetros e é Patrimônio Mundial da Unesco.

De acordo com os pesquisadores, a cor vermelha das pinturas vinha principalmente de argila rica em hematita, um mineral à base de ferro. O sangue teria sido usado em uma camada intermediária, servindo como aglutinante.

As análises mostraram três componentes principais: a parede de calcário, uma camada fina de preparação e o pigmento vermelho sobre ela. A camada do meio continha carbonato de cálcio, fosfato de cálcio e proteínas compatíveis com sangue. Os cientistas acreditam que essa mistura ajudou a formar uma estrutura mineral compacta, mantendo as partículas de hematita presas à superfície.

A análise das proteínas indicou sinais compatíveis com sangue humano e animal. Os autores levantaram a hipótese de que parte do sangue humano pudesse estar ligada a mulheres durante o parto, possivelmente relacionada a práticas culturais e à importância da fertilidade entre os antigos Luoyue. Essa interpretação, porém, segue como hipótese.

Os pesquisadores não conseguiram extrair DNA das amostras, então não é possível determinar quem forneceu o sangue, o sexo da pessoa ou como o material foi obtido. A descoberta também pode ajudar a explicar por que as pinturas se preservaram por milhares de anos em uma região de clima quente, úmido e com chuvas fortes. A mistura usada pelos artistas pode ter contribuído para manter o pigmento aderido às paredes de calcário.

Em outras regiões do mundo, estudos semelhantes já haviam identificado o uso de sangue em pinturas antigas. Na Austrália, por exemplo, análises anteriores encontraram vestígios de sangue de ema em arte rupestre aborígene. Esses casos reforçam a ideia de que diferentes povos usavam materiais orgânicos disponíveis no ambiente para criar suas obras.

O complexo de Zuojiang Huashan é conhecido por suas figuras humanas e símbolos pintados em penhascos ao longo do rio Zuo. As pinturas retratam cenas da vida cotidiana e rituais, e a preservação delas é considerada um feito diante das condições climáticas locais. A nova pesquisa traz mais um elemento para entender as técnicas usadas por essas populações antigas.

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