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Mosquito da dengue aprende a tolerar repelente, diz estudo

Mosquito da dengue aprende a tolerar repelente, diz estudo
Redação Cirurgia de CâncerPublicado em 6 de julho de 2026Atualizado em 6 de agosto de 2026

Pesquisadores da França e dos Estados Unidos descobriram que o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, pode modificar seu comportamento após experiências repetidas. Em testes de laboratório, os insetos passaram a tolerar o contato com repelentes depois de associarem o cheiro do produto à alimentação.

O estudo foi publicado na revista científica Journal of Experimental Biology. A pesquisa investigou a capacidade de aprendizado e memória de insetos transmissores de doenças. Os resultados indicam que o mosquito pode criar associações entre estímulos, alterando sua reação diante de odores que antes provocavam fuga.

Os cientistas usaram o DEET, um dos repelentes mais comuns no mundo, para avaliar o comportamento das fêmeas do Aedes aegypti. Durante o experimento, os mosquitos recebiam alimento, como sangue ou açúcar, e logo depois eram expostos ao cheiro do repelente.

Após várias repetições, os insetos passaram a associar o odor do DEET ao momento da alimentação. Como resultado, deixaram de evitar o repelente e aceitaram permanecer em contato com ele durante os testes.

Segundo os pesquisadores, o experimento mostra que o mosquito é capaz de aprender por associação, mecanismo semelhante ao observado em outros animais.

Apesar dos resultados, os autores fazem um alerta: o estudo foi realizado em ambiente controlado de laboratório e não comprova que os mosquitos estejam ignorando repelentes no mundo real. Os cientistas destacam que não há evidências de que o Aedes aegypti tenha desenvolvido resistência ao DEET na natureza.

O repelente continua sendo considerado uma das formas mais eficazes de prevenção contra picadas e doenças como dengue, chikungunya, zika e febre amarela.

A principal contribuição do estudo é ampliar o conhecimento sobre o funcionamento do cérebro e do comportamento do mosquito. Os pesquisadores acreditam que entender como o inseto aprende pode ajudar no desenvolvimento de novas estratégias de controle da dengue no futuro.

Enquanto isso, a recomendação permanece a mesma: usar repelentes aprovados pelas autoridades de saúde, eliminar focos de água parada e adotar medidas de proteção contra o mosquito. Os especialistas reforçam que não existe orientação para interromper o uso de repelentes, que seguem sendo uma ferramenta importante na prevenção das arboviroses.

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