Um novo medicamento para o tratamento do Alzheimer começa a chegar ao Brasil, reacendendo debates sobre acesso, custo e avanços da medicina.
O fármaco, chamado lecanemabe e comercializado como Leqembi, é indicado para pacientes em estágio inicial da doença. Ele funciona reduzindo as placas de proteína beta-amiloide no cérebro, que estão associadas à progressão do Alzheimer.
A redução dessas placas pode levar a um retardo na perda de memória e de outras funções cognitivas. O objetivo do tratamento não é a cura, mas a desaceleração do avanço da condição.
Disponibilidade e aprovação no Brasil
A previsão é que o remédio esteja disponível nas farmácias brasileiras a partir do fim de junho de 2026. A aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ocorreu em dezembro de 2025, após análise de segurança e eficácia.
O preço foi definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos em abril de 2026. A chegada do produto marca um novo momento no tratamento da doença no país.
Custo do tratamento e acesso
O valor mensal do tratamento pode variar entre R$ 8.108,94 e R$ 11.075,62, dependendo da carga tributária estadual. A dose unitária pode chegar a cerca de R$ 5.500.
Esse cenário de alto custo torna o acesso limitado e levanta discussões sobre desigualdade no acesso a terapias novas. Ainda não há uma definição sobre cobertura por planos de saúde ou oferta pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Aplicação e acompanhamento
O medicamento é aplicado por infusão intravenosa em ambiente hospitalar. Cada sessão dura cerca de uma hora e ocorre a cada duas semanas.
O produto é comercializado em frascos-ampola e exige acompanhamento médico constante.
Estudos e impacto no sistema de saúde
Estudos clínicos apontaram resultados na contenção da progressão da doença. A eficácia foi avaliada em uma pesquisa com 1.795 pacientes em estágio inicial.
Sem uma definição de cobertura obrigatória, muitos pacientes podem precisar recorrer à judicialização para obter o remédio, um fenômeno que já ocorre com outras terapias de alto custo no Brasil.
Especialistas alertam que este modelo pode ampliar desigualdades, favorecendo quem tem mais recursos e acesso à informação. Além disso, decisões judiciais individuais podem impactar o equilíbrio financeiro do sistema de saúde.

