Resultados Promissores do Ivonescimab em Câncer de Pulmão
Um novo tratamento com o chamado ivonescimab, um anticorpo bispecífico, mostrou resultados animadores para pacientes com câncer de pulmão não pequeno celular (NSCLC) que têm mutações no gene EGFR. Esses pacientes, que já não respondiam a outros tratamentos, apresentaram uma sobrevida livre de progressão da doença maior ao usar ivonescimab combinado com quimioterapia, em comparação com o uso apenas da quimioterapia.
Os dados foram apresentados durante a Conferência Mundial sobre Câncer de Pulmão de 2025. O estudo HARMONi envolveu 438 pacientes em todo o mundo, com idades média de 62 anos. Importante destacar que 38% desses pacientes eram de regiões da América do Norte e Europa, e 24,7% apresentavam metástases no cérebro logo no início do estudo.
Os voluntários foram divididos em dois grupos: um recebeu ivonescimab em dose de 20 mg/kg e o outro, um placebo. Ambos os grupos tomaram uma combinação de medicamentos chamada pemetrexed e carboplatina durante quatro ciclos, seguidos de terapia de manutenção.
Na análise inicial do estudo, que acompanhou 345 pacientes por cerca de 22 meses, o tratamento combinado com ivonescimab teve uma redução de 48% no risco de progressão da doença ou morte em comparação ao grupo que recebeu apenas a quimioterapia.
A sobrevida livre de progressão (PFS) foi de 6,8 meses para os que usaram ivonescimab, enquanto para os que só receberam quimioterapia, foi de 4,4 meses. Essa diferença foi observada em todos os subgrupos definidos, incluindo aqueles com metástases cerebrais.
Na análise final de sobrevida global (OS), com um seguimento médio de 29,7 meses, os números também mostraram que o ivonescimab fez a média de sobrevida aumentar para 16,8 meses, em comparação a 14,0 meses da quimioterapia isolada. Também se observou uma taxa de resposta global maior entre os pacientes que receberam o ivonescimab.
É relevante mencionar também que os efeitos colaterais graves foram registrados em 50% dos pacientes que usaram ivonescimab, enquanto 42,2% do grupo de controle apresentou esses efeitos. Os eventos mais comuns foram alterações laboratoriais. Além disso, eventos relacionados ao VEGF, como hipertensão reversível e proteinúria, ocorreram com mais frequência no grupo do ivonescimab, mas em geral foram controláveis. As mortes relacionadas ao tratamento foram raras.
De acordo com os especialistas, a combinação de ivonescimab com a quimioterapia trouxe um avanço significativo na sobrevida livre de progressão, mantendo um perfil de segurança aceitável, especialmente considerando a complexidade do tratamento desse tipo de câncer.
Esses benefícios foram constantes, independentemente da presença de metástases cerebrais ou da região geográfica dos pacientes, e apontaram uma tendência positiva em relação à sobrevida global. Essa pesquisa representa um passo importante no tratamento de pacientes com câncer de pulmão avançado e mutações no EGFR.
Esses achados abrem novas possibilidades de tratamentos mais eficazes para uma população que costuma ter um prognóstico ruim. À medida que mais estudos são realizados, espera-se que novas opções terapêuticas se tornem disponíveis, melhorando a qualidade de vida e as taxas de sobrevivência dos pacientes.

