Pesquisadores da Universidade Estadual do Novo México descobriram que problemas cognitivos podem aumentar as chances de morte precoce em americanos com doenças crônicas.
Dois estudos recentes da NMSU analisaram a interação entre deficiências cognitivas e doenças como Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e diabetes. Os estudos indicam que, embora essas condições já reduzam a expectativa de vida, quando combinadas com a perda cognitiva, o risco de morte entre adultos americanas aumenta significativamente.
Três professores do Departamento de Ciências da Saúde Pública da NMSU, Jagdish Khubchandani, Elizabeth England-Kennedy e Karen Kopera-Frye, colaboraram nos estudos, utilizando dados do National Health and Nutrition Examination Survey e do National Death Index.
“Mais da metade dos adultos nos EUA vive com alguma doença crônica, e mais de dois terços da população idosa também enfrentam esse problema”, afirmou Khubchandani, um dos autores do trabalho.
“À medida que a população envelhece, buscamos entender como as funções cognitivas impactam a probabilidade de sobrevivência entre quem tem doenças crônicas”, completou.
No primeiro estudo, os pesquisadores analisaram uma amostra de 2.013 adultos com 65 anos ou mais. Eles descobriram que 39,1% tinham baixa função cognitiva e 12,7% eram diagnosticados com DPOC. A análise mostrou que o risco de morte precoce era 4,92 vezes maior entre aqueles com DPOC isoladamente, mas saltou para mais de oito vezes entre aqueles que tinham DPOC e problemas cognitivos.
“Esses achados sugerem que cuidar da saúde cognitiva é uma parte essencial, mas muitas vezes negligenciada, no tratamento da DPOC em pacientes mais velhos, para reduzir o risco de morte precoce”, disse England-Kennedy, co-autora do primeiro estudo.
No segundo estudo, a pesquisa focou em adultos hispânicos com 60 anos ou mais e analisou os efeitos combinados do diabetes e da função cognitiva. Entre uma amostra de 636 pessoas, 23,3% tinham diabetes e 54,9% apresentavam baixa função cognitiva.
A pesquisa revelou que a combinação de diabetes e baixo desempenho cognitivo estava associada a um aumento de mais de duas vezes no risco de morte precoce. Sozinhos, nem o diabetes nem os problemas cognitivos mostraram um aumento significativo no risco de morte.
“Nossos resultados destacam o alto risco que hispânicos enfrentam devido ao diabetes e às deficiências cognitivas, e como essa situação se agrava quando as duas condições estão presentes juntas”, declarou Kopera-Frye, co-autora do segundo estudo.
Os pesquisadores afirmaram que os resultados têm implicações para a prática clínica, pesquisa e políticas públicas.
“Os médicos podem não realizar sempre testes de função cognitiva ou costumam acreditar que os pacientes conseguem lidar com suas doenças. Precisamos de triagens completas para habilidades cognitivas entre os pacientes idosos, ajudando a entender como essa população precisa de apoio no gerenciamento de doenças crônicas, serviços sociais e outros recursos”, explicou Khubchandani.
Ele acrescentou: “Com um sistema de saúde complicado e fragmentado, falta de apoio econômico e social, limitações físicas e estresse emocional, baixa compreensão sobre saúde, e acesso limitado ao sistema de saúde, os americanos mais velhos com doenças crônicas frequentemente enfrentam sobrecarga de informações e confusão, além de problemas cognitivos que dificultam viver com qualidade.”
As descobertas dos estudos ressaltam a importância da interação entre a saúde mental e física, especialmente em uma população que envelhece rapidamente. É fundamental que serviços médicos e políticas de saúde pública levem isso em consideração ao desenvolver programas de cuidados.
A realização de triagens e o cuidado contínuo da saúde cognitiva podem ser essenciais para melhorar a qualidade de vida de adultos mais velhos com doenças crônicas. Essa abordagem pode ajudar a evitar complicações sérias e até a morte precoce, que podem ser evitadas com um suporte adequado.
Por fim, essa pesquisa destaca como o cuidado integral dos pacientes mais velhos deve incluir a saúde mental como uma parte crucial do tratamento. É um passo importante para o bem-estar geral da população.
Os desafios para os profissionais de saúde incluem maior sensibilização sobre a saúde cognitiva, a criação de protocolos de atendimento e a inclusão de triagens cognitivas como parte dos exames regulares para idosos. Além disso, iniciativas educativas podem levar a uma melhor compreensão sobre a importância do tratamento de doenças crônicas em associação com a saúde mental.
Assim, a integração entre saúde física e mental se torna uma chave para melhorar a qualidade de vida dos idosos. As instituições de saúde têm a responsabilidade de se adaptar e ajustar suas práticas para atender a essa demanda crescente.
Os estudos mostram que, ao tratar de maneira eficaz as condições crônicas e os problemas cognitivos, os profissionais de saúde podem contribuir significativamente para aumentar a longevidade e a qualidade de vida dos seus pacientes. Dessa forma, todos ganham, e a vida se torna mais plena e digna.
A pesquisa reforça a importância de políticas públicas eficazes, que priorizem a saúde dos idosos e a necessidade de um sistema que atenda de maneira integrada a saúde física e mental. Com isso, é possível sonhar com um futuro melhor para essa população tão importante.

