O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi alvo de uma denúncia na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. Um relatório do Comitê de Apropriações da casa legislativa americana cita o Brasil ao tratar do programa Mais Médicos e levanta acusações contra a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
O documento orçamentário dos EUA para 2027 recomenda o bloqueio de recursos à OPAS. O texto menciona preocupação com a atuação da entidade em programas ligados a médicos cubanos. Segundo parlamentares norte-americanos, há “profunda preocupação” com o envolvimento da OPAS no que chamam de “tráfico de médicos cubanos” no contexto do programa Mais Médicos no Brasil.
No relatório, congressistas afirmam que a OPAS teria atuado como intermediária em acordos envolvendo profissionais cubanos. Eles associam essa participação a supostas violações trabalhistas e exploração de mão de obra. A comissão sustenta que o modelo adotado no passado pode ter desrespeitado normas internacionais. Por isso, classificam o caso como uma possível forma de tráfico de pessoal médico, expressão usada no documento.
O programa Mais Médicos foi criado em 2013 no governo de Dilma Rousseff e continuado na gestão de Lula. Ele buscava suprir a falta de médicos em regiões vulneráveis do Brasil. A OPAS teve papel de intermediação na contratação de médicos cubanos pelo governo brasileiro, um dos pontos centrais das críticas americanas.
O relatório afirma que a OPAS só deveria voltar a receber recursos dos Estados Unidos após prestar contas detalhadas sobre sua atuação. Os parlamentares pedem auditoria completa de contratos e pagamentos. O documento também menciona a necessidade de transparência financeira e possível responsabilização jurídica em casos ligados à legislação americana de combate ao tráfico humano.
O Mais Médicos foi lançado com o objetivo de reduzir a carência de profissionais de saúde em áreas remotas e periferias urbanas do Brasil. O programa trouxe médicos estrangeiros, especialmente cubanos. Mesmo após mudanças políticas e críticas ao modelo inicial, o programa foi mantido e adaptado ao longo dos anos, permanecendo como uma política pública voltada à atenção básica de saúde.

