Uma nova tendência viral nas redes sociais tem levado homens a aplicar gelo nos testículos com a promessa de melhorar a saúde sexual, aumentar a testosterona e potencializar as ereções. A prática, no entanto, não tem comprovação científica e oferece riscos para uma região sensível do corpo.
A técnica circula em comunidades de “biohacking”, movimento que busca otimizar o desempenho físico e mental, e ganhou popularidade em plataformas como o Reddit, onde grupos sobre o tema reúnem milhares de usuários. Um dos nomes associados à divulgação é o empresário Bryan Johnson, conhecido por sua rotina extrema de cuidados com o corpo.
Entre os relatos, há quem afirme ter percebido melhora na libido e nas ereções após incluir o resfriamento dos testículos na rotina. “Os testículos funcionam melhor quando estão em uma temperatura mais baixa, então comecei a aplicar gelo”, disse um usuário. Outro afirmou usar uma bolsa de gelo por alguns minutos ao dia e atribuir a isso mudanças na disposição sexual.
A teoria por trás da prática parte de um ponto real: os testículos precisam de uma temperatura inferior à do restante do corpo para a produção adequada de espermatozoides. Por isso, o escroto fica fora da cavidade abdominal, permitindo controle térmico. O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) aponta que evitar o excesso de calor na região, como roupas íntimas muito apertadas, pode favorecer a qualidade do sêmen.
No entanto, médicos alertam que aplicar gelo diretamente não aumenta a testosterona ou melhora o desempenho sexual. O frio intenso pode causar irritação, lesões na pele e danos aos tecidos. A recomendação é evitar métodos virais sem comprovação e buscar hábitos como alimentação equilibrada, exercícios, sono adequado e acompanhamento médico para alterações na libido ou função sexual.

