Um parasita que pode já estar escondido no seu cérebro tem uma tática de sobrevivência surpreendente: ele pode infectar as próprias células do sistema imunológico enviadas para destruí-lo. No entanto, a maioria das pessoas nunca fica doente, e uma nova pesquisa da UVA Health revela o motivo.
Cientistas descobriram que quando o Toxoplasma gondii invade as células CD8+ T — defensoras-chave do sistema imunológico — essas células podem acionar um mecanismo de autodestruição impulsionado por uma enzima chamada caspase-8. Ao se sacrificarem, as células infectadas também eliminam o parasita dentro delas.
O Toxoplasma gondii é um parasita potencialmente perigoso que infecta animais de sangue quente. As pessoas são mais frequentemente expostas pelo contato com gatos, frutas ou vegetais contaminados, ou carne mal cozida. Após entrar no corpo, o parasita pode se espalhar para vários órgãos e eventualmente se alojar no cérebro, onde pode permanecer por toda a vida. Acredita-se que cerca de um terço da população global carregue o Toxoplasma, mas a maioria nunca desenvolve sintomas. Quando a doença ocorre, conhecida como toxoplasmose, é mais séria em indivíduos com o sistema imunológico enfraquecido.
Pesquisadores liderados por Tajie Harris, PhD, buscaram entender como o sistema imunológico responde quando o Toxoplasma invade as células CD8+ T, que são células imunológicas especializadas responsáveis por eliminar células infectadas.
Harris e sua equipe descobriram que as células CD8+ T dependem de uma enzima poderosa chamada caspase-8 para controlar o T. gondii. A caspase-8 tem um papel central na regulação das respostas imunológicas e pode desencadear um processo que faz uma célula se autodestruir.
Em experimentos de laboratório, camundongos que não tinham caspase-8 em suas células T desenvolveram níveis muito mais altos de T. gondii em seus cérebros em comparação com camundongos cujas células T produziam a enzima. Isso aconteceu mesmo que ambos os grupos tenham montado fortes respostas imunológicas contra a infecção.
A diferença nos resultados foi marcante. Camundongos com caspase-8 permaneceram saudáveis, enquanto aqueles sem ela ficaram gravemente doentes e morreram. A análise do tecido cerebral mostrou que suas células CD8+ T tinham uma probabilidade muito maior de serem infectadas pelo parasita.
Essas descobertas indicam que a caspase-8 tem um papel importante em limitar o T. gondii dentro das células T. Os resultados também se somam a evidências crescentes de que essa enzima é amplamente importante para ajudar o corpo a controlar ameaças infecciosas.
Os resultados foram publicados na revista Science Advances. A equipe de pesquisa incluiu Lydia A. Sibley, Maureen N. Cowan, Abigail G. Kelly, NaaDedee A. Amadi, Isaac W. Babcock, Sydney A. Labuzan, Michael A. Kovacs, Samantha J. Batista, John R. Lukens e Tajie H. Harris. Os cientistas não relataram conflitos de interesse financeiros.
O financiamento para a pesquisa veio dos National Institutes of Health, das bolsas R01NS112516, R01NS134747, R21NS12855, T32GM008715, T32AI007496, T32AI007046, T32NS115657, F30AI154740, T32AI007496 e T32GM007267; de um University of Virginia Pinn Scholars Award; de uma UVA Shannon Fellowship; e do Fundo de Investimento Estratégico da UVA.
